Texto: Daniela Maciel 

Fotos e edição: Carla Silva

Terceira e última parte do nosso especial sobre as Vilas do Ouro de Minas Gerais.

PITANGUI

O ano de 1714 foi pródigo na elevação dos antigos arraiais em Vilas do Ouro. Além de Vila Nova da Rainha (Caeté) e Vila do Príncipe (Serro)  alçava à condição de vila Pitangui – a sétima Vila do Ouro – como gosta de ser reconhecida.

A “capital” das Minas do Poente, parte da antiga rota para atingir Goiás Velho no século XVIII, muitas vezes, não desconfia do grande patrimônio que abriga. Nesse tempo emergiram nas suas ruas duas das mais importantes e poderosas personagens femininas da história de Minas: Joaquina de Pompéu e Maria Tangará. As duas senhoras não se limitaram à sombra dos maridos e levaram com mãos de ferro os negócios das famílias e a influência política. Ainda hoje são cercadas de lendas e há muito a ser esclarecido. O certo é que além de poderosas e reconhecidas em seu tempo, ambas até hoje são vítimas de uma visão machista e estereotipada de toda mulher que alcançou destaque na sociedade, tendo a imagem ligada, muitas vezes, ao apetite sexual, desonestidade e práticas religiosas malignas. Em meados do século seguinte era um dos mais aglomerados urbanos da Província e adquiria o título de Fidelíssima Cidade.

Vilas do Ouro: Minas Gerais  – Parte I

Nas ruas de Pitangui as pessoas ainda se admiram ao encontrar quem tenha ido até lá apenas para conhecer a sua história. Sede do Circuito Turístico Verde Trilhas dos Bandeirantes tem, ainda que lentamente, se apresentando como um pólo turístico. Apesar da falta de sinalização que dificulta as rotas a pé é possível conhecer o Centro Histórico e se encantar com o casario, as igrejas e as histórias que pouco a pouco os menos tímidos começam a contar. O Casarão de Maria Tangará, convertido em escola de ensino fundamental, infelizmente não está bem preservado. A imagem das janelas quebradas é de extrema tristeza.

A Igreja de São Francisco é um dos meus lugares preferidos. E a Cruz do Monte vale pegar o carro e chegar ao ponto mais alto da cidade para, aos pés do Cristo Redentor, apreciar “O Payz do Pitanguy”.

Vilas do Ouro: Minas Gerais  – Parte II

TIRADENTES

Chegando ao fim da nossa viagem pela primeira fase das Vilas do Ouro, em 1718, o Arraial Velho do Rio das Mortes se transformava na Vila de São José del Rei. Hoje convertida em um dos principais destinos turísticos de Minas Gerais, emoldurada pela Serra de São José, Tiradentes é história, cultura, charme e infraestrutura que se presta a palco de todo tipo de eventos e festivais, cenário para cinema e televisão e aconchego para visitantes de diferentes perfis.

As casinhas coloridas bem conservadas hoje dão espaço a lojas de artesanato, cafés, pousadas e restaurantes que exalam da mais típica comida mineira até a mais alta gastronomia contemporânea. Além das ruas que voltaram a ter os nomes antigos e nos conduzem a relíquias como a Matriz de Santo Antônio, o Chafariz e aos museus de riquíssimas coleções do Brasil Colônia e Império, outros caminhos menos prováveis e só conhecidos pelos moradores nos levam a histórias ímpares em poucos minutos – como o Caminho das Escravas – bem no centro da cidade.

O ouro do Rio das Mortes, assim como em São João del Rei, distante, cerca de, 15 quilômetros, atraiu aventureiros que puseram de pé uma das economias mais pujantes da América Ibérica em seu tempo. Toda essa movimentação fez surgir também uma comunidade de pensadores que participariam de fatos que entrariam para os livros de história. A Casa de Padre Toledo – importante cérebro da Inconfidência Mineira – com todo o requinte do dono de uma das maiores bibliotecas do Império, é aberta ao público e abriga um magnífico museu recentemente recuperado.

A ligação por Maria Fumaça, na qual passeou D. Pedro II, entre São José del Rei e São João del Rei mostra a opulência daquela vilas e hoje é um passeio imperdível para crianças e adultos.

 

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