Via Liberdade: a mais nova rota turística do Brasileira

No final de outubro foi assinado, em Belo Horizonte, o acordo de cooperação técnica pelos governos do Rio de Janeiro, de Minas, de Goiás e do Distrito Federal, que dá origem à rota Via Liberdade.

O projeto busca as oportunidades turísticas contidas no percurso de 1.179 quilômetros da BR-040, que interliga os três Estados mais o DF, por meio de ações e programas estratégicos, que incluem patrimônios da humanidade, paisagens entre montanhas e mar, cidades imperiais, natureza exuberante, horizontes, capitais, metrópoles, comidas típicas, tradições, sertão, arte e contemporaneidade.

O caminho começa no Cais do Valongo, território reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como patrimônio. Estima-se que por lá passaram mais de um milhão de africanos escravizados, o que confere a ele o título de maior porto receptor de escravizados da América.

Cais do Valongo – Rio de Janeiro – Foto: Iphan

A rota sobe a serra marcada pelas disputas políticas fluminenses e entra por Minas Gerais. Atravessando a exuberância da Mata Atlântica, delicadamente convertida em Cerrado, a viagem passa por sítios históricos e ainda hoje influentes como Ouro Preto e Congonhas, atravessa a Capital Mineira, onde Juscelino Kubtischek, que nomina a rodovia, começou sua carreira política e atravessa “os sertões” para entrar em Goiás.

Tão marcado pela saga mineradora quanto Minas Gerais, Goiás se impõe na aspereza do Centro-Oeste para se mostrar ao mundo muito mais do que com um celeiro. E é ali, no centro do Brasil – e talvez centro do mundo, como acreditam os místicos -, que o sonho imperial da capital interiorizada se concretiza forjada em concreto na modernidade de Brasília.

O percurso passa por 307 cidades (241 em Minas Gerais, 49 no Rio de Janeiro, 16 em Goiás e uma no Distrito Federal) e mais de 2.000 atrativos. Entre eles estão patrimônios culturais e naturais reconhecidos pela Unesco: Plano Piloto de Brasília (DF), Conjunto Arquitetônico da Pampulha (MG), Sítio Arqueológico Cais do Valongo e Síto Burle Marx (RJ); e os centos históricos do Rio de Janeiro (RJ), Ouro Preto, Diamantina e o conjunto do Matosinhos, em Congonhas (MG). Além dos parques nacionais da Serra dos Órgãos (RJ), da Serra do Cipó (MG) e da Chapada dos Veadeiros (GO); e os parques estaduais do Ibitipoca, Itacolomi e Rola Moça, todos em Minas Geais.

A ideia é integrar as comunidades que vivem às margens da rodovia e que outros caminhos adjacentes também sejam vitalizados e valorizados, oportunizando que os turistas conheçam ao seu tempo o território, histórias, gastronomia e natureza. Como uma rota rodoviária, é possível fazer o caminho aos poucos, dedicando o tempo de acordo com as preferências e interesses de cada grupo.

Alguns desses destinos são famosos, como Ouro Preto, Mariana e Diamantina, Rota Lund, Inhotim, Cidade de Goiás, Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional da Serra dos Órgãos, por exemplo. O espectro artístico-cultural também é possível encontrar diferentes manifestções, como o samba, a bossa nova, o Clube da Esquina e o rock. A literatura de Guimarães Rosa e Cora Coralina, e a poesia de Carlos Drummond de Andrade e Alphonsus Guimaraens.

Cais do Valongo – Rio de Janeiro (RJ)

Fonte: Iphan

Principal porto de entrada de africanos escravizados no Brasil e nas Américas, o Cais do Valongo, localizado no Rio de Janeiro (RJ), passou a integrar Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 1º de março de 2017. O Brasil recebeu perto de quatro milhões de escravos, durante os mais de três séculos de duração do regime escravagista. Pelo Cais do Valongo, na região portuária da cidade, passou cerca de um milhão de africanos escravizados em cerca de 40 anos, o que o tornou o maior porto receptor de escravos do mundo.

A inclusão nessa Lista representa o reconhecimento do seu valor universal excepcional, como memória da violência contra a Humanidade representada pela escravidão, e de resistência, liberdade e herança, fortalecendo as responsabilidades históricas, não só do Estado brasileiro, como de todos os países membros da Unesco. É, ainda, o reconhecimento da inestimável contribuição dos africanos e seus descendentes à formação e desenvolvimento cultural, econômico e social do Brasil e do continente americano. 

Revelado, em 2011, durante as obras do Porto Maravilha, que abrange uma área de cinco milhões de metros quadrados, o Cais foi construído em 1811 pela Intendência Geral de Polícia da Corte do Rio de Janeiro. O objetivo era retirar da Rua Direita, atual Rua Primeiro de Março, o desembarque e comércio de africanos escravizados que eram levados para as plantações de café, fumo e açúcar do interior do Estado e de outras regiões do Brasil. Os que ficavam na capital, geralmente eram os escravos domésticos ou aqueles usados como força de trabalho nas obras públicas. 


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