Texto: Daniela Maciel

Edição: Carla Silva

Como dizia uma antiga propaganda, Tiradentes é uma cidade mágica. A beleza do seu tricentenário casario, a sua importância na história política e cultural do Brasil, as delícias dos sabores da culinária mineira, os sinos, a música e a religiosidade do Campo das Vertentes tem a sua primeira grande aparição do ano para o Brasil e o mundo já em janeiro, com a tradicional Mostra de Cinema de Tiradentes.

O evento, que começou singelo, porém ambicioso, em uma lona de circo, em que mais chovia dentro do que fora no molhado verão mineiro, duas décadas depois apresenta números dignos de super produção. A 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes abre o calendário audiovisual brasileiro com vasta programação gratuita, entre os dias 18 e 26 de janeiro. Ao longo de nove dias, serão 108 filmes (28 longas, 2 médias e 78 curtas-metragens), em 49 sessões e 30 debates e encontros, além de performances artísticas, oficinas, lançamentos de livros e apresentações musicais. As atividades mobilizam a cidade histórica e ocupam três importantes espaços locais: o Largo da Rodoviária, que recebe a instalação do Complexo de Tendas – que inclui o Cine-Tenda e o Sesc Cine-Lounge; o Largo das Fôrras, que recebe o Cine-Praça; e a Praça de Convivência, no Centro Cultural Sesiminas Yves Alves, que, além de ser a sede do evento, recebe a programação de debates e filmes no Cine-Teatro.

A abertura, na noite do dia 18, homenageia a atriz, dramaturga e diretora mineira Grace Passô. A cerimônia exibe, em estreia mundial, o média-metragem “Vaga Carne”, uma coprodução assinada pela Universo Produção, EntreFilmes e Grãos de Imagem, dirigida por Grace Passô e Ricardo Alves Jr. O encerramento da Mostra será com outro trabalho mineiro, o longa “Os Sonâmbulos”, de Tiago Mata Machado, no dia 26, às 20h.

Filme Vaga Carne
Foto: Andrea Capella

Ao longo dos anos a Mostra cresceu, ganhou sessões diversas, abriu módulos competitivos, recebe cada vez mais brasileiros de todo os lados e estrangeiros de todos os cantos, ajudou a criar um público que vai além do cinema comercial (sem se esquecer dele, claro), levou a sétima arte para uma cidade que não tem, sequer, uma sala de exibição, forma mão de obra em suas oficinas capaz de trabalhar onde quer que o audiovisual a chame.

Tudo isso sem abrir mão da sua alma: Tiradentes é, antes de tudo, uma mostra de diretor. A conversa é séria sobre o fazer cinematográfico. Mas tudo também é terno, é temperado por um tempo que anda em outro compasso. Qualquer um pode participar dos debates profundos da manhã e também pode esbarrar com diretores, técnicos e artistas pelas ruas, puxar uma conversa no bar, ou enquanto espera mais uma sessão começar na praça.

Aliás, a Praça das Fôrras é ainda mais mágica. Em poucas salas de shopping center, refrigeradas, como seus sistemas de som ultra, mega, qualquer coisa que eu não sei o nome, com suas poltronas reclináveis feitas com o mais puro couro sei lá de onde, eu encontrei tamanho silêncio e concentração para assistir um filme.

Mas hei de confessar que era na sessão infantil que eu me esbaldava. Em meio aos pequenos, assistindo a Turma da Mônica na telona, o que poderia me tirar de lá era só se o próprio Maurício de Souza mandasse me chamar. Como não tive essa sorte…

Tiradentes é mágica! Subir e descer suas ruas, conseguir as melhores entrevistas, recarregar as incontáveis baterias, catalogar fitas, adiantar offs, não me perder no turbilhão de informações, ter no cinegrafista meu melhor amigo era garantia de chegar ao fim do dia exausta, pés inchados e torcendo pra no ano seguinte estar lá de novo.

E ainda dava tempo pra contemplar a Serra de São José e visitar igrejas e museus, nem que fosse com a desculpa de fazer imagens para as matérias. Tudo isso faz parte das minhas melhores lembranças como repórter. A solidariedade de muitos colegas me fizeram aprender o que é a cobertura de um grande evento na época em que 3G era um luxo. E que internet na pousada era apenas numa salinha atrás do salão de café da manhã.

Leia também: Minas Gerais: Vilas do Ouro – Pitangui e Tiradentes

E quem não vai com objetivos profissionais, as delicias são muito maiores. A Mostra é mais que cinema, é também música, artes plásticas, teatro. Os restaurantes, o artesanato, as lojinhas em que a conversa rola mansa. É observar as eiras e beiras, é descobrir que cidade histórica não tem marquise. É resolver ir à cachoeira logo ali, pegar a Maria Fumaça e passar o dia em São João Del Rei, ir almoçar em Bichinho. Querer comprar os incríveis móveis de fazenda em Santa Cruz, morando num apartamento minúsculo. É fazer planos de voltar o ano que vem, se inscrever numa oficina. Mas antes disso, voltar no Festival de Gastronomia, de Fotografia, no encontro de motocilcistas – ainda que não se ande nem de bicicleta – ou em qualquer fim de semana desses.

 

SERVIÇO

22ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES | 18 a 26 de janeiro de 2019

Programação completa:  mostratiradentes.com.br

Locais de realização do evento:

Tirandentes – MG

Centro Cultural Sesiminas Yves Alves

Largo das Fôrras

Largo da Rodoviária

Escola Estadual Basílio da Gama

Espaço Cultural Aymorés

 

 

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