Texto: Daniela Maciel

Edição: Carla Silva

Há 164 quilômetros de Belo Horizonte, na região Central, Conceição do Mato Dentro recuperou, no dia 8 de dezembro, o símbolo maior da sua identidade colonial: a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, datada do século XVIII.

Fechada por 13 anos, sob pena de ruir na cabeça dos fiéis, demandou uma obra que durou 6 anos e consumiu recursos de R$ 10 milhões. A equipe da Cantaria, comandada pela restauradora Dulce Senra, fez descobertas esplêndidas sob as camadas de tinta sobrepostas por várias reformas pelas quais passou a Igreja ao longo dos últimos 300 anos. Destaca-se uma rara técnica italiana de imprimatura (que significa “primeira camada”), com a importante função de isolar o suporte da pintura, proporcionando uniformidade total, auxiliando o pintor a estabelecer relações adequadas entre luz e sombra.

Outros destaques são os rastros das chamadas chinesices encontradas nas pinturas em tábuas com desenhos vermelhos, pretos e ocre. As primeiras pesquisas sugerem que as pinturas reveladas foram encobertas por tintas em dois momentos ao longo da história da igreja, a primeira vez em 1816 e, a segunda, em 1933. Não há registros oficiais sobre as pinturas reveladas no processo de restauração. Até o momento, ainda em fase de estudos, acredita-se que a retratação da vida de cristo, em estilo azulejaria, foi inspirada nas obras de Bartolomeo Ricci, de 1607.

Destaque curioso para a presença de perfis de índios botocudos, primitivos habitantes da região, na terminação das vestes das mulheres representantes das três virtudes e dos cinco sentidos do forro da sacristia.

A festa presidida, pela manhã, pelo Arcebispo de Diamantina, Dom Darci José Nicioli, fez a Matriz ficar lotada em um clima de emoção. Do lado de dentro de até no adro de Nossa Senhora da Conceição moradores e visitantes se emocionaram ao ouvir as três batidas do cajado que fizeram com que a porta se abrisse. A Missa Solene, acompanhada com atenção por adultos e crianças, abençoou o dia, seguida por uma apresentação do coral e banda do Centro de Formação Técnica da Fundação Clóvis Salgado (Cefart/FCS).

Como chegar

Conceição é conhecida, também, como a capital do ecoturismo mineiro, praticado na Serra do Cipó. O acesso é feito pela Rodovia MG-10, com duração aproximadamente de 2h50min de viagem. Para quem prefere o transporte coletivo, a opção é usar a linha oferecida pela Viação Serro com saída da Capital em vários horários durante o dia. Uma das vantagens oferecidas pela cidade é a proximidade do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, também na RMBH. A distância é de 130 quilômetros, o caminho também é feito pela MG-10. Uma outra maneira é se deslocar à rodoviária de Belo Horizonte para lá pegar o ônibus. Outra opção, mais rápida, é ir até o terminal rodoviário de Lagoa Santa (RMBH) e embarcar no ônibus já a caminho para Conceição do Mato Dentro.

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